A Medicina da Dor surge como resposta à complexidade da dor crônica — fenômeno que ultrapassa o modelo puramente nociceptivo e envolve dimensões emocionais, cognitivas e sociais.

Dor crônica não é apenas um sintoma; é uma condição clínica autônoma, frequentemente associada a:

  • Depressão e ansiedade

  • Distúrbios do sono

  • Comprometimento funcional

  • Impacto socioeconômico

O Médico da Dor trabalha em interface constante com:

  • Ortopedia

  • Neurologia

  • Reumatologia

  • Psiquiatria

  • Fisioterapia

  • Psicologia

  • Terapia ocupacional

Mas, assim como o MFC, seu papel vai além da prescrição de procedimentos ou farmacoterapia. Ele participa da construção de um plano terapêutico multimodal, fundamentado em evidências e adaptado à realidade do paciente.


Onde as duas especialidades se encontram

A intersecção entre MFC e Medicina da Dor é natural e estratégica.

1. Longitudinalidade

A maioria dos pacientes com dor crônica inicia e mantém seguimento na atenção primária. O MFC:

  • Reconhece precocemente a transição de dor aguda para dor crônica

  • Inicia abordagem multimodal

  • Identifica critérios para encaminhamento especializado

O Médico da Dor, por sua vez, aprofunda estratégias diagnósticas e terapêuticas, mantendo diálogo constante com o médico assistente longitudinal.

2. Coordenação e compartilhamento de cuidado

O modelo ideal não é de transferência definitiva, mas de cuidado compartilhado:

  • Definição clara de responsabilidades

  • Comunicação bidirecional

  • Revisões periódicas de conduta

  • Reavaliação de metas terapêuticas

3. Integralidade

Ambos reconhecem que tratar dor não é apenas reduzir intensidade na escala numérica, mas:

  • Restaurar funcionalidade

  • Promover autonomia

  • Reduzir sofrimento existencial

  • Melhorar qualidade de vida